As Plêiades “Um enxame de vagalumes emaranhados num trancelim de prata”, assim o poeta Alfred Tennyson (1809 – 1892) descreveu as Plêiades. As Plêiades são um notável aglomerado estelar aberto da constelação de Touro (veja figuração), popularmente conhecidas como “As Sete–Irmãs” e cientificamente como M45 (objeto número 45 de Messier). Elas são universalmente observadas desde a mais remota Antiguidade. Segundo a mitologia helênica, as Plêiades, meia – irmãs das Híades eram filhas de Atlas e da ninfa Pleione, filha do Oceano. De acordo com uma das várias versões do mito elas teriam sido transformadas em estrelas após cometerem suicídio coletivo, desgostosas com a injusta pena imposta por Zeus a seu pai, partícipe da rebelião dos Titãs, de sustentar o Mundo sobre os ombros. Este aglomerado estelar é também vulgarmente conhecido como as Sete-Irmãs, Sete-Estrelo, Sete-Cabrinhas ou Eixu / Exu (Enxame de Abelhas). As Plêiades na Arqueoastronomia Os povos antigos descobriram nos ciclos anuais de certas estrelas e constelações um confiável “relógio celeste” por meio do qual poderiam computar a marcha do tempo. Também notaram que os cíclicos movimentos estelares estavam relacionados com uma série de fenômenos meteorológicos e biológicos (estações do ano, frio, calor, chuvas, inundações, estio, fertilidade da terra, floração, acasalamento de animais, etc.). Os povos primitivos atribuíram diretamente aos astros as causas das variações sazonais e de outros fenômenos climáticos ou naturais. Em várias culturas, o nascimento helíaco das Plêiades serviu para assinalar o início de um novo ano e propiciar em consequência, a computação do tempo. As Plêiades nos céus da Antiguidade As Plêiades foram universalmente observadas deste a Pré-História, nos cinco Continentes, segundo vários estudos arqueológicos, arqueoastronômicos e etnográficos. Abundantes registros astronômicos sobre as Sete Irmãs foram encontrados na Babilônia, Grécia Antiga, Egito dos Faraós, assim como na China, Japão e Índia Antigos. Nos Anais Chineses de 2357 a.C. há citações sobre as Plêiades. O Partenon, da Acrópole de Atenas, tal como vários outros templos gregos estavam astronomicamente alinhados com as Plêiades. No Velho Testamento há referências às Plêiades, em Amós (5, 8), Jó (9, 9) e Jó (38, 31). Nas Américas, as Plêiades foram observadas pelos Sioux, Navajo, Astecas, Maias, Incas e outros aborígines. Há uma farta documentação etnográfica indicando que várias nações indígenas do Brasil (tupinambás, tapuias, tembés, guaranis, etc.) usavam o nascimento helíaco e poente helíacos das Sete-Irmãs como indicadores de inverno e estio. Estrelas das Plêiades As nove estrelas mais brilhantes das Plêiades são (veja a foto): Asterope, Merope, Electra, Maia, Taygete, Celaeno e Alcione (as Plêiades propriamente ditas) e seus pais Atlas, e Pleione. Visibilidade das Plêiades A grande visibilidade e o cintilar a olho nu das Plêiades, certamente assegurou-lhes um lugar proeminente na astronomia, folclore e liturgia de civilizações pretéritas e atuais. Seis estrelas das Plêiades são facilmente percebidas a olho nu. Alguns observadores de maior sensibilidade visual chegam a detectar sete, oito ou nove, havendo registros confiáveis de até 19 estrelas. Nascimento e Poente das Estrelas Astronomicamente há oito tipos de nascentes e poentes das estrelas, mas sob o ponto de vista arqueoastronômico interessam–nos apenas quatro, passíveis de observação pelos homens primitivos: nascimento e poentes helíacos e nascimento acrônico e poentes cósmico aparentes. O nascimento helíaco ocorre no primeiro dia em que a estrela é vista fugazmente no horizonte oriental (leste) antes do nascer do Sol. Nos dias que antecedem o nascimento helíaco, o Sol nasce antes dela e seu fulgor impede sua visualização. Dias mais tarde, o Sol e a estrela nascem ao mesmo tempo (nascimento cósmico), mas a luz solar ainda não permite que a estrela seja vista. Finalmente, o Sol move-se o suficientemente distante para permitir que, pela primeira vez no ano, a estrela possa ser vista. O intervalo entre dois nascimentos helíacos corresponde ao ano sideral, equivalente a 365d, 6h, 9m, 10s, um pouco mais longo que o ano trópico ou solar. O poente helíaco ocorre no crepúsculo vespertino quando pela última vez a estrela é vista se pondo. No crepúsculo seguinte a estrela passará abaixo do horizonte quando ainda há bastante luz solar para ser vista. Atualmente o poente helíaco das Plêiades ocorre em 10 de maio. O nascimento acrônico aparente ocorre no crepúsculo vespertino quando pela ultima vez a estrela é vista nascendo. No crepúsculo seguinte a estrela nascerá enquanto ainda há bastante luz solar para ser vista. O poente cósmico aparente ocorre no crepúsculo matinal quando pela primeira vez a estrela a estrela é vista se pondo. No crepúsculo anterior a estrela não conseguiu atingir o horizonte oeste antes que a luz solar a tornasse invisível. Ciclo anual das Plêiades O nascimento helíaco das Plêiades atualmente ocorre em 6 de junho e o seu poente helíaco acontece em 10 de maio. Em meados de maio, o Sol está alinhado entre a Terra e esta constelação. A proximidade do Sol com as Plêiades, faz com que estas obviamente desaparecem do Céu noturno, mas em Junho elas nascem heliacamente. Quando a Terra está alinhada entre o Sol e as Plêiades, durante o mês de Novembro, elas podem ser vistas praticamente durante toda a noite. Culminação das Plêiades A culminação de uma estrela ocorre no instante em que esta ao cruzar o meridiano do observador, atinge a maior altura sobre o horizonte. Este fenômeno acontece apenas uma vez por ano. As Plêiades atualmente culminam à meia-noite, no ou em torno de 21 de novembro; nesta data elas estão em oposição ao Sol e nascem a leste no poente solar e põem-se a oeste no nascente solar. Passagem zenital das Plêiades no Antigo México No final de cada ciclo calêndrico de 52 anos, os Astecas aguardavam ansiosamente a passagem das Plêiades pelo zênite (ponto celeste diretamente acima do observador), à meia-noite, um sinal auspicioso de uma garantia de que o Cosmo não se extinguiria e que se iniciaria um novo ciclo temporal. As Plêiades e os Maias A maioria das cidades maias mostra evidências de terem sido construídas sob orientação astronômica, tal como aconteceu com Teotihuacã, cujas avenidas estão alinhadas com as Plêiades. Alguns observatórios astronômicos maias tinham janelas voltadas para o poente das Plêiades. Para os maias, o início da época de plantio, era indicado pelo nascimento helíaco das Plêiades. As Plêiades na França de 17.000 anos atrás O pesquisador alemão Michael Rappenglueck identificou entre as pinturas da Gruta de Lascaux (15.000 a.C.) uma figuração das Plêiades (veja), logo acima da omoplata de um touro desenhado próximo à entrada da caverna; outros pontos escuros no corpo do animal representariam as demais estrelas vizinhas as Sete–Irmãs. As Plêiades na Alemanha da Idade do Bronze Em 1999 foi descoberto em Nebra (veja a figuração), um artefato circular, de bronze, com 32 cm de diâmetro. Numa das faces estão representadas 32 estrelas, o Sol e a Lua. Vários cientistas afirmam que o “Disco de Nebra” é um avançado instrumento astronômico, usado há 3.600 Anos, na Idade do Bronze (início entre 2000–1700 a.C. e final entre 1300–700 a.C.). Neste artefato, as Plêiades estão representadas por 7 pequenos círculos agrupados. As Plêiades e os Tupinambás do Maranhão O frei franciscano Claude de Abbeville (? – 1632) que missionou no Maranhão, à época da França Equinocial (1612 – 1615), escreveu a “História da Missão dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão e Terras Circunvizinhas” (1614). Em seus escritos informa–nos que os Tupinambás daquela região eram familiarizados com as Plêiades, que chamavam de Eixu / Exu (Ninho de Abelhas ou Vespeiro); para estes silvícolas, seu aparecimento prenunciava a época de chuvas. Uma festa tapuia para a Ursa Maior ou para as Plêiades? O cronista batavo Gaspar Barléu (1584–1648), em sua “História dos Feitos Recentemente Praticados Durante Oito Anos no Brasil”, sobre o Brasil Holandês sob o Conde Maurício de Nassau (entre 1637 e 1644), assim escreveu sobre os nossos índios tapuias: “Em lugar de Deus, adoram os tapuias a Ursa Maior ou o Setentrião, a que nós, pelo seu feitio, chamamos com o povo, a Carreta. Quando de manhã vêem essa constelação, alvoroçam-se de alegria e dirigem-lhe cantos e danças, etc.”. Anualmente, durante o estio, reúnem-se em bandos e exércitos distintos para bailes, concursos de lanças e outros jogos consagrados ao Setentrião. Dura a festa três dias”. Neste relato parece-nos que “de manhã”, pode significar um nascimento helíaco. Embora a Ursa Maior, uma constelação que gira em torno do Pólo Celeste Norte, ser observável nas latitudes do Nordeste brasileiro (a sua visibilidade ocorre nas latitudes terrestres entre + 90º e - 30º) e de não ser estranha aos índios amazônicos, causa-nos certa admiração ser adorada pelos tapuias nordestinos, “em lugar de Deus”. Embora Barléu não cite a fonte desta informação, acreditamos que ela lhe teria sido fornecida pelo alemão Jacó Rabi (mentor da hedionda “chacina de Cunhaú”), Conselheiro da Companhia das Índias Ocidentais, que convivera com os tapuias. As Plêiades (Sete-Irmãs) tal como a Ursa Maior (Septem Triones = Sete Bois) têm ambas sete estrelas principais e não residiria aqui nesta semelhança, a provável troca de nomes? As Plêiades não seriam um objeto astronômico de observação bem mais perceptível a olho nu pelos nossos silvícolas, que a Ursa Maior? Elas estão bem mais próximas da Eclíptica e, além disso, sua declinação (latitude celeste) é de + 24º, bem menor que aquela da Ursa Maior (+ 55º), dado relevante para um observador no Hemisfério Sul. Localizando as Plêiades nos Céus Tanto no Céu (como nos Atlas Celestes), as estrelas das Híades e das Plêiades podem ser localizadas prolongando-se na direção noroeste uma linha imaginária partindo das estrelas do Cinturão de Órion (Três Marias). As Plêiades em Ingá Na itaquatiara de Ingá, cremos que as Plêiades estão representadas por oito pequenas mossas (depressões hemisféricas) agrupadas em rácimo (cacho) de uva, de maneira muito similar (veja a foto) àquelas da Grutas de Lascaux e do Disco de Nebra. Uma imagem visual aproximada deste glifo seria aquela que resultaria se alguém com a mão fechada imprimisse num cimento ainda fresco as pontas dos dedos (no caso específico, de 8 dedos). Obviamente, este é um aspecto meramente descritivo, sem qualquer vinculação com a feitura original. Lamentavelmente as mossas (“depressões capsulares”) estão atualmente bastante deterioradas e no limite da percepção visual. Deploramos amargamente a perda irreparável de algumas fotos de nosso acervo, tiradas há 50 anos quando ali ainda eram bem nítidas as Plêiades. O local do painel horizontal da itaquatiara onde se encontra a figuração das Plêiades está em harmonia como a “topografia” astronômica, sobretudo em relação à vizinha constelação de Órion, que abordaremos em outra ocasião. |
O AUTOR FAZ UMA INTERPRETAÇÃO DOS PETRÓGLIFOS DA INTERNACIONALMENTE FAMOSA ITAQUATIARA DO INGÁ ,NA PARAÍBA , Á LUZ DA ARQUEOASTRONOMIA .
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
BIO E BIBLIOGRAFIA DE FRANCISCO FARIA
BIO E BIBLIOGRAFIA DE FRANCISCO FARIA
Francisco Carlos Pessoa Faria é paraibano , nascido em João Pessoa , em1938 . Formado em 1961 pela Faculdade de Medicina Universidade da Paraíba (aluno laureado) , fixou -se em S.Paulo , em 1963 , como médico oftalmologista , após Residência na Santa Casa de Misericórdia de S.Paulo ( 1962 ) .
Sobre sua especialidade publicou 12 volumes de obra didática e ministrou Cursos ,sobre Biomicroscopia Ocular para médicos oculistas .
É astrônomo e arqueólogo amador , tendo conhecido na juventude o polímata Dr. Léon Clerot
( 1889 – 1967 ) , que o enfronhou nos estudos da pré-história e com ele , visitou alguns dos sítios arqueológicos e paleontológicos paraibanos .
Quando estudante secundarista manteve um programa estudantil semanal sobre Paleontologia e Arqueologia , na Rádio Tabajara - PRI 4 , convidado pelo seu então diretor , o cineasta Linduarte Noronha . Ulteriormente publicou na imprensa paraibana artigos sobre a arqueologia do Estado , especialmente a
respeito da itaquatiara de Ingá .
Em 8 de abril de 1984 , após 30 anos de estudos , tornou pública sua opinião sobre a itaquatiara do Ingá , fato que teve ampla repercussão em S.Paulo ( “Uma
Nova Interpretação das Itaquatiaras do Ingá – “O Estado de S.Paulo” ) e na Capital paraibana .
Em 1987, publicou “Os Astrônomos Pré-Históricos do Ingá ( Ed. Ibrasa , SãoPaulo , lançado simultaneamente em S.Paulo e Ingá . Este livro foi escolhido para fazer parte do acervo do setor de Antropologia /Arqueologia ( Handbook of Latin American Studies – HLAS ) da Biblioteca do Senado dos EUA ( United States Senate Library ) , onde recebeu o registro (LC Control Number 89138595 ) .
Recentemente , publicou o artigo “A Itaquatiara do Ingá” , contendo os dados mais recentes de suas pesquisas , realizadas “in loco” , em março de 2006.
Em 2007 , publicou a 2ª edição de “Os Astrônomos Pré-Históricos de Ingá”(São Paulo) .
Algumas notícias e comentários sobre as pesquisas do Autor:
- “Uma Nova Interpretação das Itaquatiaras do Ingá”( “O Estado de S.Paulo”, 08.04.84 ) .
- “Um Mistério Decifrado . Decifrado?”( Jornal da Tarde , São.Paulo , 18.07.87)
- “Paraibano Explica o que São as Pedras de Ingá”(“A União”,10.04.84)
- “Para IHGP , estudo de Farias , no Ingá , tem base científica”, ( “A União”, João Pessoa ,1984 )
- “Insculturas do Ingá Podem Refletir Passagem do Halley”( “O Norte” , João Pessoa,23.05.84 ) .
- “Nova Interpretação para as Exóticas Figuras da Pedra de Ingá , na Paraíba” (“A União” , João Pessoa , 8.03.88 )
- “Astrônomo relaciona Itacoatiaras com Carta Celeste Pré – Histórica” (Correio da Paraíba”, João Pessoa , 11.06.89 ) .
- “Autor de Livro sobre Pedra do Ingá Completa Estudos”( “Correio da Paraíba”, João `Pessoa,13.04.06 )
- “O Monólito Ameaçado” ( Revista “Visão”, 16.01.91 ).
- “Superinteressante” , in “Observatórios Primitivos” (Revista da Editora Abril) .
- “Mistérios do Brasil” por Pablo Villarubia Mauso, Editora Mercuryo,1997,São Paulo .
Alguns Textos do Autor , publicados em jornais ou transmitidos por rádiodifusão :
- “Os Hieróglifos Brasileiros – Enigma Secular da Nossa História”,( “A União”, João Pessoa ,1955). V.crônica de Sabiniano Maia ( “Não Clamei no Deserto” ,
no mesmo jornal ) .
- “Vestígios de uma Raça Milenar na Paraíba”, (emissão radiofônica , João Pessoa , 5.11.55 )
-.“Os Astrônomos Pré – Históricos do Ingá”( “A União”, João Pessoa , 14.04.85 )
.- “O Painel do Cometa”( “A União”, João Pessoa , 24.03.85 ) .
- “A Ursa Maior , as Plêiades e os Tapuias” ( “O Norte”, João Pessoa ,30.09.87 )
- “As Estrelas Estivais do Ingá”- “O Norte” , João Pessoa, 23.01.92 ) .
- “As Estrelas Perdidas do Ingá” - Revista do IHGP ( Instituto Histórico e Geográfico Paraibano ) –João Pessoa , Paraíba , Núm.39 – Ano XCVII – 2005
A ITAQUATIARA DE INGÁ , NA PARAÍBA
A ITAQUATIARA DE INGÁ , NA PARAÍBA
A Pedra Lavrada ou a Itaquatiara de Ingá se encontra às margens do rio de mesmo nome , tributário do rio Paraíba , seis quilômetros a jusante da sede do município homônimo , no interior da Paraiba . Ingá situa – se a noventa e sete quilômetros de João Pessoa , capital do Estado e a trinta e nove quilômetros da cidade de Campina Grande .
As coordenadas a geográficas do local são : 7o 16’ 04” de latitude sul e 35o 36’ 46” de longitude oeste.
Itaquatiara é um vocábulo de origem tupi ou nheegatú composto por itá = pedra e quatiara = gravação,pintura, escrita , escultura ou inscrição (ita + kwati - ara ) . Em Botânica , Ingá , do tupi i – ga , é o nome comum a várias arvoretas da família das leguminosas mimosáceas .
O município de Ingá se situa no agreste acatingado (caatinga litorânea) , zona de transição entre a estreita planície litorânea atlântica e as escarpas orientais do Planalto da Borborema , no agreste .
Naquele local clima é seco , pois os ventos alísios , após atravessarem o angustiado litoral , rapidamente perdem ali parcialmente sua umidade ; a evaporação e a insolação são intensas e a temperatura oscila entre 22o C e 34o C .
Não obstante a aridez do ambiente, é pitoresco o local onde se situa a itaquatiara , com os juazeiros de folhagem perene salpicando de verde o cinza dos pedrouços por onde o Ingá corre levemente encachoeirado.
Ali , na face leste de um grande bloco de gnaisse que divide este rio em dois braços , há um conjunto de exóticos e intrigantes desenhos insculpidos em meia-cana e emoldurado superior e horizontalmente por uma sucessão de mossas ( depressões hemisféricas ) . Este "painel vertical" ostenta figurações de seres humanos ( antropomorfas ), animais ( zoomorfas ) , plantas (fitomorfas ) e geométricas ( círculos , espirais , retângulos ), etc. No topo plano deste bloco há também ,embora em menor número , outras inscrições ( círculos concêntricos , mossas , etc.) .
Este rochedo mede grosseiramente 16 metros de comprimento e na sua parte mais elevada atinge 3 metros e 70 centímetros .
Às margens do braço esquerdo do Ingá , sobre uma laje que lhe serve de leito , em ângulo diedro com o monólito acima , se encontra um conjunto de representações estelares , que formam o que chamamos de "painel horizontal" da itaquatiara.
Nas margens do braço direito do Ingá , uma série de “caldeirões” – covas circulares e de paredes lisas – resultantes de erosão hídrica , apresentam no seu interior algumas inscrições .
Os glifos da itaquatiara de Ingá foram interpretados por diferentes estudiosos como símbolos gregos paleográficos , hieróglifos da Ilha da Páscoa dos egípcios , dos hititas , dos fenícios etc.; os adeptos das teses de Erich von Daeniken ( “Eram dos Deuses Astronautas ?” ) , acreditam que as inscrições ingaenses são prova material do contato entre alienígenas e silvícolas brasileiros na pré-história .
Há alguns anos tornamos pública nossa versão sobre o significado dos glifos do painel vertical da Pedra do Ingá ( “Uma Nova Interpretação das Itaquatiaras do Ingá”, em “O Estado de S.Paulo”, 8.4.84 ) e publicamos um pequeno livro sobre o assunto (“Os Astrônomos Pré – Históricos do Ingá” , Editora Ibrasa , 1987, São Paulo ) .
Dizíamos então : “Parece-nos que as figuras insculpidas no painel vertical da itaquatiara do Ingá são desenhos estilizados das constelações zodiacais principalmente, e de outras ,vistas na latitude local durante o ano” .
Nossa interpretação se amparava no fato de que , entre outros , uma sobreposição de aquelas inscrições sobre um planisfério celeste , desenhado à escala , mostrava uma coincidência razoavelmente aceitável entre ambos .
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" OS ASTRÔNOMOS PRÉ - HISTÓRICOS DE INGÁ "
Leia trechos do nosso livro " Os Astrônomos Pré - Históricos de Ingá " ( 1987 ) , na Internet , em " Google Book Result " .
domingo, 26 de setembro de 2010
A ESTRELA SÍRIO E A ITAQUATIARA DE INGÁ
Cão Maior é uma constelação do hemisfério celeste sul e sua estrela principal, Sírio, foi considerada por um astrônomo bem-humorado como a “Miss Universo” dos céus.
Sírio (alfa Canis Majoris) – “o mais cintilante diamante do firmamento noturno” - desempenhou um importantíssimo papel na História,Astronomia, Mitologia, Religião e Literatura da Humanidade.
Segundo a mitologia clássica do céu estrelado, Cão Maior é um dos sabujos do gigante Órion (Orion) sempre a perseguir a Lebre (Lepus) e ajudando-o a enfrentar o Touro(Taurus).
A imagem de um cão evocada por esta constelação seria composta pelas estrelas Sírio (coração), Muliphen (a cabeça) Mirzan, (pata dianteira), Furud (pata traseira), Adhara (anca), Wezen e Aludra (início e ponta da cauda).
Cão Maior limita-se ao norte com Monoceros( Unicórnio );ao sul com Columba ( Pomba ), e com Puppis( Popa do Navio ); ao oeste com Lepus ( Lebre ) e ao leste, novamente com Puppis .
A constelação do Cão Maior tem uma Ascenção Reta (AR) = 7 e uma Declinação(D) = -20 .Ela é perceptível para as latitudes terrestres entre +60º e -90º .
A estrela Sírio
Sírio , a estrela mais brilhante do céu noturno , cintila com uma cor branco-azulada e tem uma magnitude visual aparente de - 1,46,aproximadamente duas vezes mais luminosa que Canopo ,a 2ª.mais cintilante do firmamento
O nome “Sírio” vem do grego antigo “Seirios” (ardente,abrasador) .
Sírio pode ser observada a partir de quase todas as regiões habitadas da Terra ,exceto daquelas acima de 73 graus ao norte .Sua Ascenção Reta (AR) é 6h45m e Delinação(D) é de 16º 42’.
Juntamente com Prócion ( Cão Menor) e Betelgeuse ( Órion ) ,Sírio forma os 3 vértices do Triângulo de Inverno (Hemisfério Norte) ou de Verão (Hemisfério Sul).
Sírio pode ser vista a olho nu durante o dia , sob determinadas condições favoráveis .
Sírio nos céus dos povos arcaicos
Sírio , pelo seu esplendor atraiu todos os olhares e monopolizou as atenções de povos arcaicos não apenas por ser a mais brilhante estrela do céu noturno como , porque isolada , não tinha ao seu lado estrelas notáveis segundo o astrônomo Rubens de Azevedo
Deificada, Sírio foi astronomicamente a pedra basilar do panteão do Antigo Egito(3.200 a.C-30 d.C)pois era a corporificação de Isis , irmã e esposa de Osíris, personificado pela constelação que chamamos de Órion .
No Egito dos faraós a coincidência entre o nascimento helíaco de Sírio(Sóthis) , a cheia fertilizadora do Nilo e o solstício de verão fez com ele fosse adotado como início de um novo ano - o ano sótico .
O termo “canícula” , alude à constelação de Cão Maior e sua estrela Sírio ( Canicula) e se refere à época do ano de dias com calor abrasador e sufocante , os “dies caniculares “ dos antigos romanos (753 a.C- 476d.C) .
Sírio “desaparece” durante 35 dias antes e 35 dias após a conjunção com o Sol,ofuscada pelo brilho deste .Há uma invisibilidade desta estrela durante 70 dias antes de surgir visualmente , no seu nascimento helíaco . Os sacerdotes egípcios demoravam igual número de dias a preparar um corpo para o embalsamamento .A linguagem do ciclo estelar correspondia à linguagem do rito funerário .
Atualmente , no mês de julho, algumas comunidades esotéricas comemoram festivamente o nascimento helíaco de Sírio com rituais, rufar de tambores , fogueiras e danças.
O ciclo anual de Sírio nos Céus
Alguns nascentes e poentes de Sírio não podem ser observados diretamente , mas apenas inferidos, porque são ofuscados pelo Sol.
No hemisfério sul , em Julho , Sírio pode ser vista tanto à noite quando se deita após o Sol ou de manhã quando se levanta antes dele .
7 de julho : Sírio nasce juntamente com o sol e como é ofuscada por ele , está invisível ( nascimento cósmico).
19 de julho : Sírio nasce antes do sol , de modo que é observada (nascimento helíaco).Nos dias seguintes , Sírio se afasta cada vez mais do sol e é visível durante as últimas horas da noite no horizonte leste .
23 de novembro : Sírio nasce quando o sol se põe(poente cósmico verdadeiro) mas não pode ser observada diretamente .
28 de novembro: Sírio é vista pela primeira vez no deitando-se no crepúsculo matinal (poente cósmico aparente )
9/10 de dezembro: Sírio atravessa o meridiano à meia-noite e surge cada vez mais cedo na noite .
29 de dez : Sírio nasce pela última vez ao cair da noite .
3 de janeiro: Sírio nasce quando o Sol se põe (nascimento acrônico verdadeiro ),fenômeno que não pode ser observado diretamente .
Em maio, Sírio será vista apenas durante o anoitecer
12 de Maio: o último poente observável de Sírio, no crepúsculo (poente helíaco).
23 de maio : Sírio deita-se simultanemente com o sol (poente acrônico verdadeiro), fenômeno que não pode ser observado diretamente.
12 de maio/19 de julho :período de invisibilidade de Sírio .Em de 7 julho , reinica-se o ciclo .
Cão Menor
Cão Menor ( Canis Minor ) ou Pequeno Cão ,uma constelação muito menos extensa que Cão Maior,parece como que “ espremida” entre o Equador Celeste e a Eclíptica.Esta constelação ,além de Prócion ( Precursor do Cão Maior) ,sua estrela principal , de brilho dourado e a sétima mais brilhante do céu , apresenta apenas uma outra companheira visível a olho nu .
Painel horizontal da itaquatira de Ingá
Os petróglifos da itaquatiara de Ingá , além daqueles entalhados na face leste (painel vertical) e no topo de um grande bloco de granito, apresentam um terceiro grupo, menos conhecido, mas também de grande valor etnográfico , que chamamos de “painel horizontal” ;neste último a grande maioria dos glifos é explicitamente estelar .
Sírio na itaquatiara de Ingá
Dentre os glifos estelares do painel horizontal da itaquatiara de Ingá , destaca-se aquele que é o maior de todos e formado por nove raios que partem de uma depressão hemisférica (mossa ) central .
Acreditamos que somente uma estrela de excepcional fulgor , tal como Sírio , receberia este registro tão privilegiado . Além disso , na itaquatiara , este glifo está astronomicamente posicionado – dentro uma certa tolerância - de modo correto em relação aos glifos que interpretamos como representativos da constelação de Órion e das Plêiades .
Do mesmo autor ,
* “ Os Astrônomos Pré-Históricos de Ingá” – 1987 – Ibrasa ,São Paulo . Leia trechos na internet ,em “Google Book Result”.
* * “ Os Astrônomos Pré-Históricos de Ingá – II” - 2007 – São Paulo .
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